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domingo, 3 de fevereiro de 2013

EAD em Letras-Libras forma 60 estudantes

Na última sexta-feira (1), no Centro de Convenções da Universidade, a Unicamp celebrou o fechamento de um projeto nacional de ensino universitário a distância em Letras-Libras, com a formatura de 60 estudantes, entre surdos e ouvintes. O projeto abriga os cursos de licenciatura em Letras-Libras e bacharelado em tradução e interpretação Letras-Libras.

Segundo a coordenadora do polo Campinas, professora Regina Maria de Souza, entre as maiores conquistas do projeto pode-se destacar o salto de 500 para 1.300 no número de surdos com graduação no Brasil, num período de apenas oito anos. “Nos anos 1990, não se imaginava um surdo no terceiro grau. Os que chegavam, era com muito esforço. A maioria abandonava por conta da acessibilidade”, comenta.

O projeto teve sua primeira entrada pelo vestibular em 2006, com matriz na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e mais 15 polos pelo país. A Unicamp engajou-se em 2008, quando houve a segunda entrada de estudantes e a inclusão do curso de bacharelado. Cada curso tinha sua especificidade. Enquanto o objetivo da licenciatura era a formação de educadores surdos, o bacharelado em tradução e interpretação tinha alunos ouvintes como principal público-alvo. Mas ao longo do processo, alunos ouvintes decidiram cursar a licenciatura, e a nova conjuntura trouxe desafios a coordenação do curso. “Tivemos que lidar o tempo todo com essa diferença de olhares, que havia entre esses dois grupos”, comenta a coordenadora do polo Campinas.

Apesar de ter sido exigida a proficiência em Libras no vestibular, a professora Regina conta que as duas línguas circularam paralelamente no curso, com o material sendo disponibilizado em libras, mas também acessível em português escrito. Ela destaca a facilidade com que os estudantes surdos responderam às novas tecnologias. “Ficamos maravilhados em ver a sagacidade, a rapidez que tinham em aprender, em se apoderar do conhecimento tecnológico e transformar em ferramentas de ensino”, destaca.

Outros planos estão sendo elaborados para dar continuidade ao projeto. A convite da Instituição Nacional de Educação de Surdos, do Instituto Federal de Santa Catarina e do Instituto Federal de Goiás, a professora Regina está participando da elaboração de um curso de pedagogia com formação bilíngue com subsídios dos Ministérios da Educação e da Cultura.

http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2012/12/04/ead-em-letras-libras-forma-60-estudantes

FORMANDOS 2012: Licenciatura de Letras-Libras - Poló: Unicamp 2008 - UFSC











A todos os formados de Letras-Libras, para que possamos agir um novo milênio sempre desafios e transformadores da nossa sociedade e nova história marcante deste curso! 
Aos sempre amigos e tutores pelos 4 anos de convivência, aprendizados, alegrias e conquistas compartilhadas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Estudantes surdos se formam no curso de licenciatura em libras - Atualizado em 12/04/2011 09h40

Formatura em linguagem de sinais ocorreu nesta segunda-feira na USP. Graduação a distância é da Universidade Federal de Santa Catarina.

Quarenta e três alunos surdos se formaram no curso de licenciatura em letras/libras (linguagem brasileira de sinais) à distância na noite desta segunda-feira (11) no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). A cerimônia em São Paulo reuniu apenas os estudantes que utilizaram a USP como polo presencial. A graduação é da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atendeu estudantes de outros oito polos espalhados pelo Brasil.


Formanda recebe o canudo do professor, enquanto intérprete faz a tradução (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

O curso foi iniciado em outubro de 2006 e concluído em dezembro do ano passado. A cada 15 dias, no mínimo, sempre ao sábados, os estudantes participavam de aulas presenciais com videoconferências. O conteúdo foi baseado em disciplinas de pedagogia, linguística e tradução e interpretação.

A cerimônia de formatura foi acompanhada por intérpretes que a traduziam na linguagem de sinais e tinham sua imagem projetada em um telão. A cada formando que recebia o canudo, a turma chacoalhava as duas mãos para o alto, sinal que representa uma salva de palmas.

Com o diploma, os estudantes estão habilitados a atuar como professores de línguas de sinais, porém a maioria já está na área. É o caso de Neivaldo Augusto Zovico, que tem licenciatura em matemática, pós-graduação em educação de surdos e dá aula de matemática em libras em duas escolas para surdos em São Paulo. "Antigamente os surdos não tinham profissão, por isso cursos como estes quebram paradigmas. Muitas pessoas acham que nós nos comunicamos por meio de gestos. Mas não é isso, através das libras, temos nossas gírias, poesias e até piadas. Há um status de linguagem", diz Zovico, por meio de libras, traduzidas à reportagem por uma intérprete.


Sylvia Lia foi uma das formandas do polo de São Paulo (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Sylvia Lia Grespan Neves, de 42 anos, também era uma das formandas. Ela já cursou biblioteconomia, pedagogia e fez mestrado em educação, mas afirma que a ocasião era especial porque era a primeira vez que se formava com colegas surdos. "Dou aulas de libras, fiz pedagogia, mas aqui o curso foi mais específico com estudos de gramática, que é o foco do meu trabalho", afirmou Sylvia, também em libras.

Sylvia nasceu surda e ensina a linguagem de sinais em universidades para estudantes ouvintes.

Para Eduardo Pereira Rocha, de 28 anos, a graduação foi só o primeiro passo da vida acadêmica. Ele trabalha como instrutor de libras, e pretende fazer pós-graduação na área de educação. "O primeiro desafio foi aprender a lidar com o ensino a distância. Mas valeu muito a pena porque além de conhecimento houve a troca de experiência entre os alunos", diz Rocha, por meio dos sinais.


Cerimônia foi totalmente traduzida em libras por intérpretes (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Nas atividades em casa durante o curso, os alunos assistiam a vídeos em libras, tinham espaço para postar outros vídeos, além de propor fóruns de discussão.

A coordenadora geral do curso a distância, Marianne Stumpf, de 37 anos, que também é surda, disse que os conhecimentos adquiridos pelos formandos devem ser multiplicados para que haja uma mudança sobre a visão do profissional surdo.

Para Tarcísio de Arantes Leite, de 34 anos, que foi o tutor do polo de São Paulo e dá aulas no curso presencial em Santa Catarina, os docentes desta área precisam reaprender antes de ensinar. "Quem trabalha com surdez precisa repensar o estudo, que geralmente é feito com base nas línguas orais. Também é necessário conhecer a realidade do aluno e adaptar o ensino." Leite lembra que geralmente o surdo tem dificuldade com a língua portuguesa e nem sempre lê ou escreve bem.

A Universidade Federal de Santa Catarina oferece também o curso presencial de licenciatura em libras, além do bacharelado em libras que habilita o profissional a atuar como intérprete e tradutor.

Fonte: Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo - 12/04/2011 07h00 - Atualizado em 12/04/2011 09h40
http://www.feneissp.org.br/index.php?ps=noticias&ano=2011&rqv=1204